terça-feira, 4 de maio de 2010

A magia da fotografia

“A fotografia torna o mundo mais familiar”. (Boris Kossoy)
Realiza a “mágica” de tornar conhecidas paisagens, pessoas, fenômenos, objetos, no espaço, no mundo, em nosso país, em nossa cidade e até no bairro, que de outra forma não poderíamos conhecer. Disso resulta a “aura” da fotografia: colocar ao alcance dos olhos aquilo que na realidade não está ali.
“O homem passou a ter um conhecimento mais preciso e amplo de outras realidades que lhes eram, até aquele momento, transmitidas unicamente pela tradição escrita, verbal e pictórica”. (Boris Kossoy)
Antes da fotografia, cabia à arte o papel de informar visualmente e de ilustrar o cotidiano. Ocorre que, à semelhança dos registros verbais, a pintura é altamente susceptível à subjetividade do indivíduo – quem podia garantir que os fatos ocorreram da forma como foram retratados pelo pintor? Será que o pintor não “maquiou” a cena para confirmar suas convicções? Será que ele observou bem todos os aspectos? Será que não decidiu deliberadamente suprimir ou acrescentar alguma informação?
Surgida em 1835 pelas experiências de Louis Daguerre, a fotografia decorre diretamente das descobertas na área das reações químicas das substâncias e dos estudos sobre a física da luz. Os avanços científicos dos séculos XVII e XVIII, inspiradas na filosofia cientificista de Kant (primado da razão com “Crítica da Razão Pura”, “Crítica da Razão Prática”) e numa ética que creditava o rigor e a precisão às máquinas (homem = subjetividade sujeita a falhas X máquina = objetividade confiável), a busca pela máxima eficiência, formaram o ambiente ideal para que a fotografia experimentasse rápida aceitação. Saía de cena a pintura Realista de Gustave Courbet e Jean-Françoise Millet e entrava outro recurso mais confiável: a FOTOGRAFIA. A pintura passa a se ocupar das impressões do indivíduo ante a Natureza, surgindo o Impressionismo com Claude Monet.
A fotografia tem natureza TESTEMUNHAL. Constitui-se até o presente em “expressão da verdade”, posto que resultante da “imparcialidade” da objetiva fotográfica. Desta forma, além de testemunho, a fotografia é DOCUMENTO.
Boris Kossoy: “A fotografia é um intrigante documento visual cujo conteúdo é a um só tempo revelador de informações e detonador de emoções”.


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